A moça do Táxi

29/04/2022

Há vários relatos da aparição de uma moça fantasma que adora pegar corridas de Táxi e quando chega ao seu destino, desaparece ou manda cobrar a corrida na casa de sua família, há algumas variâncias, mas é basicamente a mesma história, muito popular em várias capitais do Brasil, especialmente no Norte e algumas cidades do Nordeste como Pará e Paraíba, há relatos até no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro e no Cemitério da Consolação em São Paulo. Mas toda lenda tem um fundo de realidade, e a origem comprovada de todas essas lendas está bem na cidade de Belém do Pará, para este autor a realidade é bem mais misteriosa do que a lenda, que será contada em detalhes a seguir,

Josephina Conte nasceu em 19 de abril de 1915, mas ainda hoje faz parte do imaginário popular da cidade de Belém, capital do estado do Pará. Em vida, durante seu aniversário, seu pai lhe dava como presente uma corrida de táxi pela cidade de Belém, por seus pontos turísticos. Mas tal costume, segundo a lenda urbana, continuou mesmo após sua morte prematura, por Tuberculose, em 1931, aos 16 anos.

Segundo a lenda popular da Moça do Táxi, a jovem gostava de andar de carro e, mesmo depois de morta, voltava ao mundo dos vivos no dia do seu aniversário para passear de táxi pela cidade, pois neste mesmo dia, quando ainda viva, seu pai lhe havia dado isso de presente.

Os taxistas, sem desconfiar, levavam a alma da falecida para passeios pela cidade de Belém e, ao final da corrida, segundo variações da lenda, o trajeto ia de casa para o cemitério ou do cemitério para casa, ela os orientava a cobrar a corrida na casa de sua família. Quando a cobrança era feita, o motorista descobria que a jovem passageira da noite anterior já havia morrido há muito tempo devido à uma tuberculose, em 1931, aos 16 anos.

Walcir Monteiro – escritor

A história popularizou-se com o escritor Walcyr Monteiro, que estuda o folclore de Belém há mais de 40 anos. Foi ele quem publicou, no livro “Visagens e assombrações de Belém”, de 1972, o primeiro registro escrito da história da “Moça do táxi”. “Desde criança ouço falar da ‘moça do carro de praça’, pois em Belém não se usava a palavra táxi antes de 1960. A história era reproduzida de motoristas através de terceiros, mas nunca encontrei uma pessoa que tivesse visto a passageira”, conta Walcyr.

De lenda urbana, Josephina alcançou o status de santa popular. Dezenas de pessoas ainda a homenageiam com velas, flores e placas de mármore que fazem referência as suas bênçãos: segundo a cidade de Belém, as visitas ao túmulo começaram na década de 40, e ainda hoje o local é um dos mais procurados.

foto do túmulo original da Moça do Táxi, recebe homenagens até hoje.

A História real

A lenda teria começado cerca de cinco anos após a morte da jovem Josephina. A família estava almoçando quando um motorista de táxi bateu à porta, para cobrar por uma corrida. Ele explicou que no dia anterior havia pego uma moça em frente ao cemitério, e a levou até a Basílica. Ela rezou, pediu para deixá-la novamente no cemitério e, depois, cobrar a corrida na fábrica de calçados com o Sr. Nicolau, que seria o pai da jovem Josephina Conte.

Josephina residia com a família na Rua Gaspar Viana, número 124, conforme mostra o cartaz da fábrica de calçados que a família possuía. Um elegante prédio de dois andares onde hoje existe um galpão. A fábrica Boa Fama funcionava no primeiro andar e a família residia no segundo.

Fábrica de calçados da Família Conte, hoje em dia não existe mais, é apenas um galpão.

Assim que o motorista descreveu a passageira, às pessoas da família chegaram a pensar que se tratava de uma das irmãs de Josephina que tinha ido ao cemitério e não havia pago a corrida ao taxista. O motorista ficou olhando para dentro da casa e apontou para um quadro na parede dizendo “foi aquela moça que ontem esteve no meu táxi”. A família ficou em choque, e informou que aquela garota do retrato já havia morrido, há anos.

Além desta ocorrência que, segundo a família, foi a única cobrança feita por motorista na casa dos Conte, outro fato intriga os parentes de Josephina, é a respeito de sua sepultura. O pai da moça enviou uma foto para a Itália, para ser incrustada no mármore. Quando o mármore chegou ao Brasil, havia um broche de um carro na imagem, que na foto original não existia.

em detalhe no círculo vermelho, o broche de carro

Este broche de carro, é a parte mais intrigante deste caso, porque provavelmente nunca saberemos a elucidação desse mistério, porque pelo tempo, todos daquela época já faleceram, como é que uma pessoa que estava na Europa, do outro lado do Atlântico adivinharia que tudo isto iria acontecer?

Sobre a Família de Josephina Conte, a Moça do Táxi

Rita Conte é uma das parentes vivas da mulher que inspirou a história, e relembra ter passado a adolescência sempre ouvindo falar da “meia-tia” com admiração.

“A verdade é que a gente é distante mas não tanto. O meu avô, quando foi vivo, sempre deu toda a assistência do mundo para minha família. Então a primeira vez que ouvi falar da Josephina sempre foi de uma forma de comoção. Ainda não estava solidificada a história da ‘moça do táxi’, isso aconteceu mais próximo da década de 70. Antes disso eu só ouvia falar dela com admiração, de como ela morreu jovem e coisas do tipo”, conta ela.

Rita é “meia sobrinha” de Josephina porque, segundo ela, o avô teve duas famílias, e ela seria filha da segunda família. “Meu avô tinha duas famílias: uma com a minha avó; e a outra família mais tradicional, com a mulher que era italiana, com quem ele teve cinco filhos, incluindo a Josephina”, relembra.

“Minha avó não era a mãe da Josephina, era a outra parte da família, com quem ele teve sete filhos e registrou os sete com o nome Conte, daí a origem do nome. Na década de 30, apesar de não ser bem visto um comerciante com duas famílias, era algo aceito”, conta Rita.

Ela relembra ainda que durante sua adolescência não existia o mito da Mulher do Táxi de uma forma tão forte, e que não tinha consciência do que era a família, já que Josephina morreu muito jovem.

“As pessoas acreditam muito, e eu não sabia o que era de fato. Até que uma vez, quando trabalhei em uma rádio nos anos 80, um senhor ligou perguntando se o Conte do meu sobrenome tinha a ver com a família da Josephina. Ele era devoto dela, e acho que foi nesse dia que tive a noção do que era. Disse para mim mesma: ‘Meu Deus! Ele é devoto’, e foi me conhecer como se fosse algo de outro mundo. Disse que alcançou várias graças por conta dela”, relembra.

No final de 2018, Rita teve um encontro com um outro neto de seu avô, Paulo Conte. Ele era filho de Rosário Conte, o irmão mais velho de Josephina, e veio a Belém vasculhar o apartamento de sua mãe, que foi colocado à venda posteriormente. No encontro, Rita diz que Paulo a mostrou fotos de Josephina ainda viva e outras feitas em seu velório, com a moça no caixão.

“Quando vi as fotos disse o que significava aquilo e ele não tinha noção que nossa tia e a lenda tomaram proporções inimagináveis. Fotografar morto antigamente era muito comum, e imagina importância disso hoje. Mas ele não ligou muito para a coisa da lenda e do mito. Não sei se passava longe da família ou ele não gostava”, disse.

Rita conta que sua avó começou a trabalhar aos 16 anos na fábrica de sapatos do pai de Josephina. Os dois então tiveram filhos, incluindo a mãe de Rita. Ela explica que no início, quando a história da “Mulher do Táxi” começou a ficar famosa, houve também um rumor de que seu avô teria sido uma das primeiras pessoas a ter carro em Belém, o que pode ter resultado na lenda. A mãe de Rita também era a única filha mulher do casamento com avó, e conta que a relação dos dois era similar a que ele tinha com Josephina.

“Eles eram loucos um pelo outro. Minha mãe nasceu em 1934, quando a Josephina já era morta. No aniversário da minha mãe ele sempre ia até a casa da minha avó, buscava minha mãe, passeava, dava presentes e devolvia ela no final da tarde com roupas novas e sapato combinando. Isso era algo que ele também fazia com a Josephina”, conta Rita. “Por isso que a história do táxi tem essa origem. Ele contava que se fosse dirigindo não teria graça porque não veria a reação dela; então eles iam em um táxi para passear de braço, como fazia com minha mãe”.

O ato de afeto repetido em todos os aniversários, e que levou a criação da história da “Mulher do Táxi”, segundo Rita, também se devia ao fato de o avô ser da religião espírita. “Isso fazia com que ele acreditasse que minha mãe fosse uma reencarnação da Josephina, já que ele sofreu muito com a morte dela e acreditava que por ela ter morrido muito jovem, havia morrido sem pecados”, finaliza Rita.

Segue abaixo uma pequena animação sobre a lenda da Moça do Táxi:

Então é isso meus amigos, até a próxima, se quiserem podem enviar sugestões diretamente para meus contatos que estão na página, whats e instagram, suas idéias são muito importantes para mim, porque muitas vezes tenho crise de criatividade e não sei o que escrever, um grande abraço a todos, olha a Moça do Táxi rindo para vocês abaixo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Referências:

https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2013/11/sepultura-de-moca-do-taxi-atrai-curiosos-em-belem.html

https://www.mundosombrio.com.br/lendas/lendas-brasileiras/lenda-da-mulher-do-taxi/

https://fantasia.fandom.com/pt/wiki/Mulher_do_T%C3%A1xi

https://www.metropoles.com/brasil/conheca-a-lenda-da-moca-do-taxi-que-faria-107-anos-nesta-terca