MACUMBA

07/06/2021

A grande maioria das pessoas quando ouvem a palavra “Macumba”, sentem um certo desconforto, simplesmente pelo fato de não saberem o significado desse ritual, já associam com magia negra, bruxaria, feitiçaria, pactos diabólicos e sortilégios em geral, o que leva a diversos significados e interpretações, alguns concretos sobre sua essência e outros pejorativos com uma carga de preconceito elevada, tudo porque refere-se a religiões afro-brasileiras como a Umbanda e o Candomblé, Na árvore genealógica das religiões africanas, macumba é uma forma variante do candomblé que originou-se no Rio de Janeiro. O preconceito foi gerado porque, na primeira metade do século 20, igrejas neo pentecostais e alguns outros grupos cristãos consideravam profana a prática dessas religiões. Com o tempo, quaisquer manifestações dessas religiões passaram a ser tratadas como “macumba”.

Culturalmente, isso ficou enraizado em nós, o que nos levou a acreditar que realmente a macumba está associada ao mal, temos que tomar muito cuidado com o senso comum, porque pode nos levar a um julgamento precipitado, errado de certas coisas, então quando alguma coisa nos choca, vai contra nossas crenças, temos que investigar, ver do que se trata, no caso da Macumba, que é o assunto em questão, primeira coisa que temos que fazer é perguntar: “- O que é macumba?”, pronto, já é o primeiro passo.

Macumba é uma árvore sagrada na cultura africana, da família das Lecitidácas, da mesma família do famoso Jequitibá, em torno da qual aconteciam os rituais para homenagear os mortos, a confraternização tribal pela vitória, o agradecimento aos orixás pelo alimento vindo da natureza , desta árvore também é confeccionado o instrumento musical utilizado durante as cerimônias religiosas de origem afro, que recebe o mesmo nome, macumba, é um instrumento de percussão parecido com o reco-reco, os primeiros instrumentos eram feitos desta árvore, para que assim pudessem se conectar com mais eficiência aos Orixás, e foi deste instrumento que originaram-se outros como o atabaque, também usado nos rituais. Chama-se macumbeiro quem toca esse instrumento. Trazida para o Brasil, embaixo de sua sombra os escravos africanos se reuniam para homenagear seus orixás e matar saudades da terra natal.

a esquerda a árvore macumba e a direita o instrumento macumba

Já notaram que a grande maioria das religiões, senão todas, fazem referência a uma árvore sagrada? Desde o oráculo de Zeus em Dodona que se manifestava num carvalho, ao freixo sagrado Yggdrasil das culturas nórdicas, ou ainda a figueira sob a qual Buda alcançou o nirvana, e ainda temos a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal no Jardim do Éden, conforme consta na Bíblia. As Religiões afro-brasileiras em questão, também como já vimos, também não ficam atrás, mas isso é apenas uma observação, não é o foco deste artigo.

Antes de prosseguirmos, vou dar uma rápida definição das duas principais religiões afro-brasileiras citadas anteriormente:

CandombléReligião africana trazida ao Brasil pelos africanos durante o período escravocrata. Segue as leis da Natureza, que tem como divindade os Orixás, estes que cuidam as energias da nossa existência.

Umbanda Religião brasileira criada através da mistura dos cultos africanos e do catolicismo. Segue os princípios da fraternidade e da caridade sob as leis da Natureza e do Plano espiritual.

Uma definição muito resumida, mas se olharmos de perto, ao contrário do que muitos dizem, nenhuma dessas religiões pregam a prática do mal contra o próximo, isso é uma falácia, invenção, nunca devemos falar ou criticar o que não conhecemos, a ignorância é inimiga da razão.

Os ditos “depachos de macumba” é o nome dado as oferendas feitas aos Orixás, vista pelos leigos no assunto como magia negra, mas nada mais é do que um presente a uma energia divina para que auxilie no direcionamento de uma causa. Os espíritos da natureza gostam de bebidas, flores, frutas, cereais, etc., quando se oferece essas oferendas a eles estamos fazendo um contato com eles, uma ligação com as falanges as quais eles pertencem e através dessas ligações formamos um elo de ligação com esses seres da natureza.

Esses espíritos passam a conhecer aqueles que estão lhe dando um presente e a sua retribuição é envolver a pessoa em uma forte energia da natureza. Quando damos uma oferenda, os espíritos não comem a oferenda, mas retiram a essência e tudo é transportado ou plasmado para o astral, onde eles fazem banquetes com as suas oferendas.

As oferendas são feitas para um agradecimento pela proteção e energias que os espíritos nos dão em nossos trabalhos espirituais e em nossa vida diária. Assim como qualquer outra religião ou cultura pode-se usar de seus dons para realizar ações contra terceiros, a magia da macumba também pode ser usada para o mesmo, porém, nenhum centro de Umbanda ou Candomblé de respeito, sério, terá bons olhos, ou aceitarão esse tipo de serviço.

Há vários lugares para se fazer os despachos, matas, campos, pedreiras, cachoeiras, o mais famoso são as encruzilhadas, que sempre foram lugares de encantamento para diversos povos e sempre espantaram ou seduziram homens e mulheres. São ainda lugares propiciadores, em várias culturas, da realização de oferendas em busca da restituição do oferecido na forma de potências e sortilégios.

Os gregos e romanos ofertavam a Hécate, a deusa dos mistérios do fogo e da lua nova, oferendas nas encruzilhadas. No Alto Araguaia, era costume indígena oferecer-se comidas propiciatórias para a boa sorte nos entroncamentos de caminhos. O padre José de Anchieta menciona presentes que os tupis ofertavam ao curupira nas encruzilhadas dos atalhos.

O profeta Ezequiel viu o rei da Babilônia consultando a sorte numa encruzilhada. Gil Vicente, no Auto das Fadas, conta a história da feiticeira Genebra Pereira, que vivia pelas encruzilhadas fazendo oferendas às divindades e evocando o poder feminino.

Para os africanos, o Aluvaiá dos bantos, aquele que os iorubás conhecem como Exú e os fons como Legbá, mora nas encruzilhadas. Conta o povo do Congo que Nzazi imolou em uma encruzilhada um carneiro para fazer, esticando a pele do bicho num tronco oco, Ingoma, o primeiro tambor do mundo. Em quimbundo, o poder que comanda as encruzilhadas é o do inquice conhecido no Brasil como Bombogira. A origem do nome da divindade é Pambu-a-Njila: encruzilhada.

Há uma teoria bem interessante sobre a origem dos despachos, que originalmente elas tinham o objetivo de fornecer comida aos escravos fugitivos, mas atualmente já caiu por terra, já foi comprovado que não passa de um boato, não há embasamento histórico, pode ter acontecido em algum momento do passado, mas não há provas, não se tem registro, foi um equívoco, que enganou muita gente.

Acredito que o equívoco da palavra macumba foi esclarecido, não me aprofundei na definição dos Orixás, porque pretendo, futuramente, escrever um artigo descrevendo em detalhes cada Orixá, será um artigo muito especial, um grande abraço a todos.

Referências:

https://colecionadordesacis.com.br/2017/06/16/o-boato-da-encruzilhada/

https://www.boatos.org/religiao/oferendas-encruzilhadas-escravos.html

https://www.iquilibrio.com/blog/espiritualidade/umbanda-candomble/macumba/

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-macumba/

https://www.facebook.com/1634795993433967/posts/1663100787270154/

https://orixaessenciadivina.wordpress.com/2015/09/21/conheca-10-arvores-sagradas/