SÃO JORGE

28/04/2022

O Dia de São Jorge é celebrado por várias nações para quem São Jorge é o santo patrono. Entre os países que comemoram a data, destacam-se o Reino Unido, Portugal, Geórgia, Bulgária, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo, Beirute e pelos Goranis.

No Reino Unido, o Dia de São Jorge é também o Dia Nacional. O Dia de São Jorge é também comemorado localmente em Newfoundland (Canadá), no Rio de Janeiro, na Catalunha (região espanhola) e em Adis Abeba (pela Igreja Copta Ortodoxa Etíope).

Muitos países celebram a a festa de São Jorge em 23 de abril, que é a data tradicionalmente aceita do falecimento do santo.

Teria nascido na antiga Capadócia, região do centro da Anatólia que, atualmente, faz parte da Turquia, entre 275 e 280 — 23 de abril de 303 DC, também conhecido como Jorge da Capadócia ou Jorge de Lida, Ainda criança, mudou-se à Palestina com sua mãe após seu pai, Gerôncio, morrer em batalha. Sua mãe, Policrômia, era originária de Lida, na Palestina, atual Lod, em Israel, era possuidora de muitos bens, tendo educado o filho com esmero na Fé Cristã. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade — qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da província da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Nicomédia.

Devido a seu carisma, Jorge não tardou em ascender na carreira e, antes de atingir os 30 anos foi Tribuno Militar e conde, sendo encarregado como guarda pessoal do imperador Diocleciano (r. 284–305), em Nicomédia. Consta que, quando do falecimento de sua mãe, ele, tomando sua vultosa herança, tudo doou aos pobres e necessitados, causando tal fato surpresa na corte imperial, a qual ainda desconhecia a fé cristã de Jorge.

Em 303, Diocleciano (influenciado por Galério) publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e que todos os outros deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Assim, no dia em que o senado confirmaria o decreto do imperador que autorizaria a eliminação dos cristãos, Jorge levantou-se na tribuna e se declarou espantado com esta decisão, que julgava absurda. Ele ainda disse diante de todos que os romanos é que deveriam assumir o cristianismo em suas vidas. Todos ficaram muito surpresos quando ouviram palavras como essas vindas da boca de um membro da suprema corte de Roma.

Diocleciano (284-305 DC) museu arqueológico de Istambul

Questionado por um cônsul sobre o porque dessas palavras, Jorge respondeu-lhe que estava dizendo aquilo porque acreditava na verdade e, por ser esta a verdade, a defenderia a todo custo. Mas, “o que é a verdade?”, perguntou o cônsul. Jorge respondeu: “A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade”.

Não querendo perder um de seus melhores tribunos, o imperador tentou dissuadi-lo oferecendo-lhe terras, dinheiro e escravos. Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar aos deuses romanos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio, aos poucos, ganhado notoriedade e muitos romanos, tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia, na Ásia Menor.

Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado, e mais tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.

Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, no Império Bizantino, no Estreito de Bósforo na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da Igreja Católica

Posteriormente, quando da reforma do calendário litúrgico realizada pelo Papa Paulo VI em 9 de maio de 1969, a observância do dia de São Jorge tornou-se facultativa, e não mais em caráter universal. De fato, a reforma retirou do calendário os santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais, porém tal expurgo não atingiu o santo da Capadócia. Falava-se, naqueles tempos, em “cassação de santos”. No entanto, o fato da festividade de São Jorge ter se tornado opcional não quer dizer que não seja reconhecido como santo. Frise-se a reabilitação do santo como figura de primeira instância, assim como os arcanjos, lembrando a figura do próprio Jesus Cristo, pelo Papa João Paulo II em 2000, o que conferiu nova relevância a São Jorge.

 

São Jorge e o Dragão

Como, então, um mártir se converteu em um guerreiro montado em um cavalo, empunhando uma lança diante de um dragão cuspindo fogo? O Santo Guerreiro virou lenda a partir de 1290. Nesta época, um escriba dominicano conhecido como Jacopo de Varazze compilou histórias dos primeiros santos em um livro conhecido como “Lenda Dourada”. São Jorge estava nas páginas, mas a história do soldado turco ganhou ares muito diferentes.

No capítulo dedicado a São Jorge há a história de uma cidade que sofre com um dragão que queimava casas e contaminava a água. Para acalmar o monstro, jovens virgens eram entregues para sacrifício.
“Quando foi a vez da filha do rei, São Jorge teria aparecido montado em seu cavalo. Após vencer o dragão, o santo teria cortado a cabeça do animal. Toda a cidade se converteu ao cristianismo depois do episódio”

Esta estória é apenas uma alegoria, O dragão simboliza a idolatria que mata inocentes e causa destruição. A idolatria é destruída pelas armas da Fé. A jovem que São Jorge salvou representaria a região da qual ele combateu heresias e instalou a fé cristã. a ligação de São Jorge com a Lua é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana, e em nada relacionado com o santo europeu.

 

São Jorge e Ogum, o sincretismo

O sincretismo religioso nada mais é do que uma atualização da fé do conquistado. Quando os portugueses vieram para o Brasil e impuseram a fé católica, os escravos negros de matriz africana adaptaram a fé deles. Inteligentemente, para manter sua fé em seus deuses nativos, os escravos passaram a fazer associações. Assim, eles invocavam os orixás por meio de imagens dos santos católicos: Oxóssi na forma de São Sebastião, Iansã como Santa Bárbara, Oxalá como Jesus Cristo, Ossain como São Benedito, Ogum como São Jorge e assim por diante. Cada um dos 16 orixás corresponde a um ou mais santos católicos.

Essa estratégia usada pelos escravos conseguiu manter a fé desse povo viva e aumentar sua força para lutar por dias melhores.

 

OGUM

Segundo a mitologia africana, a primeira aparição de Ogum foi como um caçador, cujo nome era Tobe Ode. Ele foi o primeiro orixá a vir do céu para a terra com o objetivo de viver entre os homens.

Ele é ainda o último Igbá Imolé, grupo de cerca de 200 orixás de direita. Eles agiram em desacordo com o julgamento de Olodumaré e por isso foram destruídos por ele. Após o ocorrido, Ogum foi incumbido de liderar outro grupo de 400 orixás de esquerda, os Irun Imole.

Ainda conforme a mitologia, Ogum foi o responsável por ensinar aos homens como forjar o ferro e o aço para fazer alavancas, machados, pás, enxadas, picaretas, espadas e facas.

Esse guerreiro é tido como o filho mais velho de Oduduwa. A crença conta que o pai de Ogum ficou cego, deixando o filho responsável por liderar a cidade de Ifé.

Durante a sua liderança, ele se envolveu em inúmeras disputas contra reinos vizinhos, os quais ele sempre conquistava, lhe proporcionando ricos espólios. Isso fez com que ele ficasse conhecido por sua natureza guerreira.

Ogum é um orixá destemido, guerreiro, associado a batalhas e lutas. Superação, liderança e vitória estão sempre presentes em suas lendas. Por inspirar força, Ogum é considerado o guerreiro perfeito, viril, que está sempre pronto para o combate e para sair vitorioso.

Assim, a associação a São Jorge foi quase automática. A própria representação de São Jorge, que aparece em um cavalo, com armadura e lança, nos remete a combate.

Ogum e São Jorge são os mesmos?

Atualmente, o sincretismo não é bem aceito por praticantes da Umbanda e do Candomblé. Isso porque essas religiões estão cada vez mais independentes, maduras e professando sua própria fé.

Assim, não são todos os praticantes das religiões de matriz africana que concordam com a afirmação que Ogum é o mesmo que São Jorge.

O mesmo acontece com os católicos. Eles nem fazem essa associação pois estariam adorando um deus de um culto pagão animista.

Outra diferença é que ao contrário dos santos católicos, os orixás são entidades com virtudes e defeitos. Seus seguidores também acreditam que eles saibam o destino de cada um dos mortais.

Ogum tem uma natureza de energia espiritual totalmente diferente da natureza de São Jorge. Por isso não é possível que eles sejam a mesma pessoa.

 

Semelhanças entre São Jorge e Ogum

Tanto o santo quanto o orixá são guerreiros e justiceiros. São Jorge é o protetor dos soldados, dos militares e dos ferreiros. É o homem do Exército de Deus, que enfrentou um dragão com seu cavalo e enfrentaria as bestas do inferno para defender o Reino dos Céus.

Ogum é o orixá que vai na frente em uma batalha. Ele é destemido e desbravador. Foi Ogum quem ensinou os homens a trabalharem com o ferro e o fogo. Ele é representado por uma espada. Ele a utiliza para socorrer rapidamente quem o invoca.

São Jorge e Ogum são acionados para abrir caminhos, afastar inimigos e resolver problemas de injustiças contra seus fiéis.

 

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge.
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me enxerguem
e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.

Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão,
facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar,
cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem.

Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça,
Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu Sagrado e divino manto, me protegendo em todas minhas dores e aflições,
E Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor, contra as maldades de perseguições dos meus inimigos,

Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
me estenda o seu escudo e as suas poderosas anulas,
defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas sua más influências,
e que debaixo das patas de seu fiel ginete,
meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós,
sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar.

Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

Amém.